terça-feira, 8 de julho de 2008

Mário Quintana/Fernando Pessoa

BabyHoje estou um tanto triste, por isso não tenho nenhuma cria.

Só poesia.

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mario Quintana - A Cor do Invisível


 

Ah quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!

Que angústia desesperada!
Que mágoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que é tudo assim.

Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu
Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.

Fernando Pessoa, 3-9-1924.


 


 


 

Um comentário:

  1. Oi querida adorei o poema, pois gosto muito de poesia.
    Mas não quero ver vc triste, amiga amanhã é um novo dia e o sol vai rair na sua vida, acredite nisso querida.
    Vim buscar seu link espero que não se importe.
    Mil bjs da Mary

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